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CES - As alterações climáticas nos Media em Portugal e Espanha

Industrial weather ©Carolina Pimenta@Unsplash

As notícias sobre as alterações climáticas publicadas em Portugal e Espanha privilegiam o discurso político ou técnico em detrimento da sociedade civil, conclui um estudo do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (UC).
Neste estudo, que teve como objetivo analisar a cobertura mediática ibérica sobre mudanças climáticas para discutir melhor sua influência no envolvimento do público com o tema, foram examinadas perto de 500 notícias online (217 em Portugal e 232 em Espanha), publicadas em 2017 e 2018 em vários órgãos de comunicação social de âmbito nacional.
As notícias foram recolhidas através da base de dados do Google News e selecionadas por ordem de relevâncias dos meios, em quatro períodos temporais: fevereiro a março de 2017; junho a julho de 2017; outubro a novembro de 2017; fevereiro a março de 2018.
De um modo geral, nos dois países, as notícias «dão destaque aos discursos políticos ou técnicos, sobretudo às discussões entre os vários partidos políticos, negligenciando os discursos e comportamentos dos indivíduos. No caso de Portugal, por exemplo, das 217 notícias avaliadas, apenas 12 favorecem a sociedade civil», relata Neide Areia, autora do estudo já publicado na revista científica “Science of The Total Environment”.
Além disso, na sua grande maioria, as notícias «salientamframings alarmistas, por exemplo, o número de mortes ou a extinção em massa de espécies. Os jornalistas tendem a enquadrar os assuntos relacionados com o meio ambiente colocando excessivo foco nos problemas, sejam eles os efeitos das alterações climáticas, ou o fracasso das instituições políticas no combate às mesmas», realça.
No que se refere aos fenómenos climáticos mais noticiados, a seca e o seu impacto na agricultura surge em primeiro lugar em ambos os países (157 notícias), seguindo-se, em Portugal, as notícias relacionadas aos fogos florestais. 
Segundo a investigadora do CES, os resultados deste estudo mostram que «os media devem democratizar a comunicação das alterações climáticas, aproximando a realidade do problema à realidade do indivíduo comum. Ao invés da significativa projeção dada a notícias relacionadas com discussões político-científicas do foro internacional ou de catástrofes ambientais ocorridas num outro ponto do mundo, os jornalistas devem enquadrar o assunto das alterações climáticas ao nível das comunidades locais e ao nível individual».
Considerando a influência dos media na construção da opinião pública, Neide Areia defende que «um discurso mais proactivo sobre as alterações climáticas pode fazer toda a diferença, influenciando na adoção de comportamentos sustentáveis (público em geral) e na implementação de políticas e leis ambientais (responsáveis políticos)».
«De facto, uma comunicação democrática sobre assuntos ambientais - focada em mais notícias pró-climáticas, por exemplo, ações das comunidades para lidar com as mudanças climáticas, e não apenas nas falhas dos governos em relação à política ambiental ou desastres relacionados com o clima - melhoraria o papel ativo dos media no envolvimento dos indivíduos e ajudaria a promover respostas ativas da sociedade às mudanças climáticas», sublinha ainda a investigadora, que vai agora alargar o estudo a França, Irlanda e Reino Unido, encontrando-se já a analisar 1600 notícias publicadas em 2017 e 2018. Numa fase seguinte, será analisado o tipo de discurso político privilegiado nas notícias.
Esta investigação foi realizada no âmbito do projeto europeuRiskAquaSoil: Plano Atlântico de Gestão de Riscos no Solo e na Água, centrado na deteção dos impactos das alterações climáticas nos espaços rurais, contribuindo para a gestão do risco, o uso dos recursos hídricos e do solo, a reabilitação de áreas agrícolas e o desenvolvimento de novas práticas.
Liderado por Alexandre Tavares, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), o RiskAquaSoil(iniciado em 2017) tem a participação de cerca de quatro dezenas de investigadores de Espanha, França, Irlanda, Portugal e Reino Unido.
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Autoria: Cristina Pinto | Assessoria de Imprensa - Universidade de Coimbra/Comunicação de Ciência





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