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18 de dezembro de 2019

Tailândia quer banir 3 pesticidas. Trump diz não.

O governo americano a colocar, claro, lucros em primeiro lugar, pressiona a Tailândia para não proibir produtos químicos nocivos fabricados pela Dow, Syngenta e Monsanto.


De acordo com as notícias tailandesas, as autoridades americanas alertam que a proibição interferirá no comércio. Os EUA estão especialmente "preocupados" com a proibição de glifosato, argumentando que isso poderia limitar centenas de milhões de dólares nas importações tailandesas de grãos norte-americanos, que geralmente são misturados com resíduos de glifosato.

Oficiais tailandeses indignados dizem que foram forçados a "explicar claramente" às ​​autoridades americanas que a prioridade da Tailândia é a saúde dos consumidores tailandeses. "O nosso trabalho é cuidar da saúde das pessoas", disse o ministro da Saúde Pública, Anutin Charnvirakul, à imprensa.

Aqui  n'Os Tomates interrogamo-nos  se não será um  indicador muito sombrio para a América, quando líderes estrangeiros precisam dar uma palestra às autoridades americanas sobre a importância de priorizar a saúde pública sobre os lucros das empresas.

Os líderes da Tailândia disseram que, a proibição entrará em vigor para o uso dos seguintes produtos químicos agrícolas: clorpirifós, um insecticida popularizado pela Dow Chemical; Paraquat da Syngenta, um herbicida que é proibido na Europa desde 2007; e o herbicida de glifosato da Monsanto.

A Dow, a Syngenta e a Monsanto uniram-se para exercer o seu poder em Washington para manter seus pesticidas no mercado. Estas empresas, porém, não têm a mesma capacidade em manter líderes estrangeiros alinhados.

A Tailândia alinha-se, naturalmente, com dezenas de países que já proibiram ou planeiam proibições destes produtos. O Comité Nacional de Substâncias Perigosas da Tailândia votou em Outubro pela proibição dos três produtos devido aos perigos estabelecidos por evidências científicas.

Os líderes da Tailândia foram motivados em parte por pesquisas que mostram que o uso desses produtos químicos na agricultura não apenas coloca em risco os trabalhadores agrícolas, mas também põe em risco os consumidores, porque os resíduos persistem em frutas, vegetais, grãos e outros alimentos, além de contaminarem a água.



Se ao menos os líderes americanos tivessem tanta clareza moral.

Nos Estados Unidos, os resíduos de pesticidas são tão comuns nos alimentos domésticos que um relatório da Food and Drug Administration publicado em Setembro revela que mais de 84% das frutas domésticas, 53% dos vegetais e 42% dos grãos vendidos aos consumidores contêm resíduos de pesticidas.

Apesar disso, os governantes americanos repetem as mensagens da indústria, que insiste que as exposições alimentares a pesticidas não são motivo de preocupação e que os riscos para os trabalhadores agrícolas podem ser mitigados com treino adequado, roupas de protecção e outras medidas.

O clorpirifós estava programado para ser banido há dois anos nos EUA, mas quando Trump assumiu o cargo, a EPA decidiu adiar qualquer acção até pelo menos 2022. A agência está a actualizar a sua avaliação de risco do paraquat; mas parece pronta para permitir o uso continuado, embora com restrições. E no início deste ano, a EPA afirmou que continua a não encontrar riscos para a saúde associados ao glifosato.

Um exemplo da lealdade governamental foi apresentado no relatório de um consultor interno da Monsanto tornado público devido a processos civis contra a empresa. O relatório cita um consultor de políticas da Casa Branca dizendo: "Temos a Monsanto a ajudar à regulamentação de pesticidas. E estamos preparados para enfrentar todos os conflitos que possam advir.”

É verdade que todos os dias aparecem novas oportunidades de indignação com o governo de Trump, mas quer se trate de políticas imprudentes, negociações ilícitas ou alianças corporativas controversas, nunca é suficiente para alarmar os americanos.

Mas quando se trata dos alimentos que comem e com que alimentam as suas famílias, apenas se prejudicam quando ignoram políticas que literalmente promovem o envenenamento dos seus filhos. 


E tudo isto para que grandes empresas possam aumentar os lucros? 



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17 de dezembro de 2019

Cair que nem um pato numa história com patos



O caso

Envenenamento do ex-agente russo Sergei Skripal e de sua filha Yulia através de um ataque químico, ocorrido às 16:15, no dia 4 de Março de 2018, na cidade de Salisbury, no Reino Unido.

A 4 de Março de 2018, o ex-oficial de inteligência militar russo Sergei Skripal e sua filha Yulia foram supostamente envenenados em Salisbury, Inglaterra, com o agente nervoso Novichok.[1][2]

Um agente da policia britânica, que realizou a investigação também ficou seriamente doente. As autoridades identificaram 38 pessoas como sendo afectadas pelo agente nervoso.[6][7]

A 14 de Março, após acusar a Russia de tentativa de homicídio, autoridades do governo britânico anunciaram medidas de retaliação, incluindo a expulsão de numerosos diplomatas acusados ​​de serem agentes secretos.[8][9][10]

O Reino Unido recebeu apoio dos Estados Unidos e de outros aliados, enquanto a Rússia negou as alegações.[11] A União Europeia, e a NATO e muitos outros países tomaram medidas semelhantes contra a Rússia.[12]


Portugal NÃO expulsou diplomatas, limitando-se a chamar o embaixador português na Rússia.
Como veremos à frente, a diplomacia não se faz impulsivamente.




Trump, as crianças e os patos


Mike Pompeo, ex-director da CIA e agora diplomata-chefe dos Estados Unidos, fez as seguintes observações numa entrevista recente:
“Eu era o director da CIA. Nós mentimos, enganamos, roubamos. É como ter um curso completo. Lembra-nos a glória de se ser americano."


Mike Pompeo em Lisboa com Ministro Neg.Estrangeiros

Quando o New York Times, de 16 de Abril de 2019 fez um perfil sobre a nova directora da CIA, Gina Haspel, relatou, como exemplo do poder de persuasão da directora, que ela induziu o presidente Trump a expulsar 60 diplomatas russos em Março de 2018, como retaliação pelo caso do envenenamento, quando o próprio presidente argumentava que 60 era um número que lhe parecia exagerado.

Só no dia seguinte Trump soube que, por exemplo, a França e a Alemanha só expulsaram 4 diplomatas cada.



Gina Haspel com Pompeo e Trump

O New York Times escreve como é que a Directora o convenceu:


"Para convencer Trump, Haspel mostrou-lhe que Skripal e sua filha não eram as únicas vítimas do ataque da Rússia.
Haspel mostrou fotos que o governo britânico lhe tinha disponibilizado de crianças hospitalizadas depois de serem atingidas pelo agente nervoso Novichok que envenenou os Skripals.
Ela, de seguida, mostrou uma fotografia de patos que oficiais britânicos disseram ter sido inadvertidamente mortos pelo trabalho desleixado dos agentes russos.
Haspel não foi a primeira a usar imagens emocionais para apelar ao presidente, mas combiná-las com a dura realidade mostrou-se eficaz: Trump fixou-se nas fotos das crianças doentes e dos patos mortos. No final do briefing, ele adoptou a opção forte.
O resultado foi um exemplo de como Haspel é uma das poucas pessoas que conseguem convencer Trump a mudar de posição com base em novas informações.”


Mas o que há de tão extraordinário nisto?
Deixem-me explicar de maneira clara e inequívoca:

Em primeiro lugar, não existiram patos mortos como resultado de envenenamento. Nenhum!

Em segundo lugar, não houve crianças afectadas  pelo agente nervoso. Nenhuma!

No entanto, mesmo que não houvesse patos mortos e crianças doentes, Trump aparentemente foi convencido pelo chefe da CIA a expulsar 60 diplomatas através de fotos de patos mortos e crianças doentes.



E o mais extraordinário, para lá da mentira:

Além da natureza extraordinária da revelação da mentira, também há uma enorme ironia aqui. Já que a questão dos patos e das crianças é o verdadeiro calcanhar-de-Aquiles de toda a história sobre o que aconteceu em Salisbury em 4 de Março de 2018. 

E a razão para isso é que Se fosse verdade, haveria de facto patos mortos e crianças doentes.

Segundo a história oficial, Skripal e sua filha foram contaminados com "Novichok" ao tocar na maçaneta da porta de casa entre as 13:00 e as 13:30 da tarde. 
Alguns minutos depois (13:45), eles foram filmados em cameras de CCTV alimentando patos e entregando pão a três meninos locais, um dos quais comeu um pedaço. Depois disso, foram ao restaurante Zizzis, onde contaminaram a mesa em que estavam sentados. 
A mesa precisou ser incinerada.






Como vêem, caros amigos, por vezes a realidade transcende a ficção, e como sempre, aqui n'Os tomates, podem encontrar (nos eXTRAs) o texto do NYT, assim como a sequência de acontecimentos naqueles dias de Março de 2018 em: eXTRAs-What can we make of this?

Poderá encontrar também artigos e referências a estes factos além de links para jornais onde poderá confirmar toda esta história mirabolante em: eXTRAs - Duck Gate









E claro, espreite sempre o futuro com perguntas. 
Nós também, aqui, 
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11 de dezembro de 2019

Boeing e FAA: Conspirações que custam vidas


Nos últimos meses, Os Tomates do meu Avô, fez algumas publicações sobre a Boeing, tanto no que diz respeito às falhas no 737 Max assim como sobre a sua cultura corrupta e criminosa.

Hoje, enquanto decorrem as audições no congresso americano aos responsáveis da FAA, com a presença dos familiares das vitimas,  escrevemos sobre o conluio criminoso entre a Boeing e a FAA que a devia fiscalizar e proteger a vida de passageiros e pessoas em terra.

A Boeing e a FAA  permitiram que o Boeing 737 MAX 8 continuasse a operar, mesmo depois de um acidente na Indonésia que, levantou questões sobre a segurança do avião e que aparentemente foram ignorados, e do acidente semelhante que aconteceu na Etiópia menos de seis meses depois, elevando o número total de mortos para mais de 300.

Esta quarta-feira, as acções da Boeing caíram novamente provavelmente devido a informações de que  o 737 MAX não voaria brevemente, mesmo que as entregas "pudessem" ser retomadas no final deste mês.

Estas e outras revelações sobre a cultura na Boeing e na FAA mostram muito claramente como a Federal Aviation Administration se deixou corromper  e como os seus lapsos de supervisão abriram as portas para um sofrimento humano inimaginável.

Um relatório interno da FAA de 2018 revela que especialistas detectaram os riscos no sistema anti-stall do 737 MAX 8, o MCAS, e alertaram que "esses aviões poderiam ter uma média de mais de um acidente por ano." Na aviação que, às vezes, passa quase uma década sem acidentes, esses números são obviamente inaceitáveis.

Na terça-feira, um porta-voz da FAA declarou : "Ficou claro desde o início que existia uma condição insegura", acrescentando que a análise "forneceu um contexto adicional para ajudar a determinar a acção de mitigação".

Num e-mail, o porta-voz disse que essas análises tendem a exagerar os riscos porque adoptam a abordagem mais conservadora e porque os problemas especificamente identificados provavelmente parecem mais graves do que são.

Após o acidente da Lion Air, a análise da FAA projectou até 15 acidentes catastróficos semelhantes, globalmente, ao longo da vida da frota MAX (aproximadamente 30 a 45 anos), a menos que grandes correcções fossem feitas no sistema de controle de voo automatizado (correcções que a Boeing tentou fazer no ano passado).

Conclui-se então, que o MAX foi considerado pelas próprias autoridades como o modelo da Boeing mais propenso a acidentes na história moderna.

O documento da FAA determinou ainda que se as tripulações estiverem cientes do risco e souberem como responder, é aceitável deixar os aviões continuar o transporte de passageiros até que uma mudança permanente no projecto fosse efectivada.

Essa "correcção" ainda está em progresso.

Mais do que qualquer outra evidência anterior, este documento expõe a cabala Boeing-FAA e como a empresa e o governo conspiraram para colocar em risco a vida de milhões de viajantes inocentes.





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9 de dezembro de 2019

Pessoas como nós, mas a fingir

Pessoas como nós, em manifestações um pouco por todo o mundo a defender pesticidas e Organismos Geneticamente Modificados.

Cinco mil tractores causaram graves transtornos em Berlim na semana passada quando os agricultores protestaram contra as políticas de protecção ambiental do governo alemão.

Esses protestos visavam os planos do governo alemão para limitar o uso de fertilizantes a fim de combater a poluição por nitratos nas águas subterrâneas e eliminar, progressivamente, o glifosato, até 2023, para proteger a biodiversidade.



Conheça o falso agricultor Willi


Um dos mais activos críticos do governo alemão é o Dr. Wilhelm Kremer-Schillings, ou "Agricultor Willi", como ele mesmo se denomina. Por meio de blogs e campanhas contra restrições de pesticidas, a favor de OGM e em defesa de empresas como a Bayer / Monsanto, ele tornou-se um dos agricultores mais conhecidos da Alemanha.

E o Willi é um homem de acção, não apenas de palavras. Antes do protesto de Berlim, ele liderou agricultores de toda a Alemanha a desenharem grandes cruzes verdes nos seus campos, num protesto altamente visível contra as políticas ambientais que, segundo ele, darão um golpe mortal para o sector agrícola da Alemanha.

Mas, de acordo com um artigo do jornal alemão Taz, um cognome mais adequado para Kremer-Schillings deveria ser "Chemical Willi". Isso porque, apesar de se promover como um pequeno agricultor que trabalha numa "quinta tradicional" no Baixo Reno, a sua carreira envolve muito pouca agricultura e muito trabalho para a industria agro-química.

A Taz descobriu que ele trabalhou na divisão de produtos químicos do Grupo Schering, mais tarde assumido pela Bayer, como gerente de projectos do Betanal - um herbicida suspeito de causar cancro. O "Agricultor Willi" também aconselhou os agricultores sobre pesticidas para a produtora de açúcar Pfeifer & Langen

Ele actuou primeiro como presidente e agora vice-presidente da Buir-Bliesheimer Agrargenossenschaft eG, uma cooperativa agrícola considerável (facturação anual: 120 milhões de euros) que actua fortemente em fertilizantes e pesticidas, como o glifosato.

As cruzes verdes e os protestos de Berlim visavam desafiar os planos do governo de impor restrições a esses produtos químicos agrícolas. E, curiosamente, a empresa de Willi encabeça a lista de patrocinadores aos organizadores do protesto de Berlim.

Mas quando ele lançou seu site "Farmer Willi" e seu livro, nenhuma destas ligações ao agro-negócio e aos agro-químicos mereceu uma menção.



Fingindo em França

O agricultor Willi, infelizmente, está longe de ser o único entre os "agricultores como nós" que se opõem às restrições químicas na agricultura  e/ou promovem a modificação genética.

Um equivalente francês é Vincent Guyot, que foi retratado com destaque nos media franceses como o homem que dá voz ao "desespero" de muitos pequenos agricultores de França com a perspectiva de uma proibição de glifosato. Um artigo do jornal L'Express, por exemplo, enfatizou que Guyot era apenas um camponês comum, que nem sequer era membro de um sindicato de agricultores, muito menos "um lobista da Monsanto" ou de algum outro gigante agro-químico.

Guyot chegou à fama em 2017, depois do diário financeiro Les Echos publicar o seu apelo pessoal contra a proibição de glifosato sob a manchete "Eu, Vincent, agricultor e utilizador de glifosato". Nesta carta aberta, publicada poucos dias antes da União Europeia decidir se deveria aprovar novamente o glifosato, Guyot disse que queria “aproveitar esta oportunidade, gritar uma última vez antes que minha voz e a de meus colegas [agricultores] sejam silenciadas. ”.

E o "grito de desespero" deste agricultor comum, como o Les Echos o chamou, teve tanto impacto que, ao contrário de todos os medos de Guyot, o glifosato não foi proibido na UE, e Les Echos orgulhosamente republicou sua apaixonada defesa do produto químico.

Mas em maio deste ano, o jornal teve que retirar "Eu, Vincent, agricultor e utilizador de glifosato" do seu site depois de os documentaristas franceses Envoyé Spécial revelarem que o apelo sincero de Guyot era realmente o trabalho de uma agência de relações públicas que trabalha para a Monsanto, fabricante do Roundup, o herbicida altamente lucrativo à base de glifosato.






Aqui n'Os Tomates, como já sabem, não pretendemos chegar a grandes conclusões. Deixamos isso para vocês. 
Mas, como sempre, perguntamos:


Quantas vezes temos que ver como os truques são feitos para deixarmos de acreditar em magia?



Veja também, por favor, nos EXTRAS d'Os Tomates, mais exemplos de "pessoas a fingir", neste caso em África, na Índia e EUA. 

E claro, espreite sempre o futuro com perguntas, também aqui
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7 de dezembro de 2019

Obrigado, por mais um embuste


Hoje, n'Os Tomates,  publicamos um e-mail, enviado por um membro da missão de inquérito da OPCW a Douma - Síria aos seus superiores, na qual ele expressa a sua preocupação com a manipulação intencional do relatório em que foi co-autor.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW) enviou uma equipa de especialistas para investigar as alegações de que um ataque químico ocorreu na cidade síria de Douma em 7 de Abril de 2018. 

O autor do e-mail era membro dessa equipa e afirma que a versão preliminar editada do relatório deturpa os factos que ele e seus colegas descobriram no terreno. O e-mail é de 22 de Junho. Ele é endereçado a Robert Fairweather, Chefe do Gabinete, e encaminhado ao seu vice Aamir Shouket e aos membros da missão de investigação de factos em Douma.

Ele diz que essa deturpação foi alcançada por omissão selectiva, introduzindo um viés que mina a credibilidade do relatório. Além disso, alega-se que fatos cruciais, que permaneceram na versão editada:
"... transformaram-se em algo bem diferente do que foi originalmente redigido".

O ataque em questão foi amplamente atribuído ao exército sírio, com base em relatórios de forças rebeldes que estavam presentes em Douma na época, e essa afirmação foi apoiada pelos governos dos Estados Unidos, britânico e francês. Esses três países realizaram ataques aéreos contra os alvos do governo sírio em resposta, no dia 14 de Abril de 2018. 

Esses ataques ocorreram ainda antes da equipa de investigação ter acesso ao local em Douma, o que só aconteceu duas semanas depois.

Após a chegada, a equipa descobriu que muitas evidências físicas, incluindo os corpos dos mortos, já não estavam disponíveis. Alega-se que 49 morreram e até 650 foram seriamente afectados por um gás químico numa área específica de Douma, controlada pelos rebeldes, naquele dia de Abril. Os rebeldes alegaram que o gás vinha de cilindros lançados de aeronaves, implicando claramente as forças do governo sírio que tinham total superioridade aérea.

O relatório editado parecia apoiar essas conclusões, mas o autor do e-mail divulgado descreve alguns aspectos específicos que ele considera: “particularmente preocupantes”.

Em primeiro lugar, há uma declaração no relatório editado. Ele afirma que há evidências suficientes para determinar a presença de "cloro ou outro produto químico contendo cloro reactivo".

O email indica que este era:

“Provavelmente um ou mais produtos químicos que contêm um átomo de cloro reactivo. Esses produtos químicos podem incluir ... o principal ingrediente da lixívia doméstica à base de cloro. Escolher propositadamente o gás cloro como uma das possibilidades é falso. ”

O relatório redigido também removeu o contexto de uma alegação no rascunho original, que dizia respeito à probabilidade de o gás emanar dos cilindros encontrados no local em Douma. Diz-se que o texto original enfatizou propositadamente que não havia evidências suficientes para afirmar que esse era o caso. Este é "um grande desvio do relatório original", de acordo com o autor.

Ele também cita problemas com o parágrafo na versão editada, que afirma:

”Com base nos altos níveis de vários derivados orgânicos de cloro detectados em amostras ambientais”.

Diz-se que isso exagera o caso. De acordo com o e-mail:

"Na maioria dos casos, eles estavam presentes apenas na faixa de partes por bilião, tão baixo quanto 1-2 PPB, que é essencialmente uma quantidade ínfima".

Uma evidência, mostrada nas redes de notícias de todo o mundo, era um vídeo que mostrava as vítimas a ser tratadas num hospital após o ataque em Douma. Os sintomas mostrados, no entanto, não são consistentes com o que as testemunhas relataram ter visto naquele dia. Aparentemente, uma discussão detalhada disso foi omitida na versão editada do relatório da OPCW.

O email indica:

“A omissão desta secção do relatório (incluindo a Epidemiologia que foi totalmente removida) tem um sério impacto negativo no relatório, pois esta secção está indissociavelmente ligada ao agente químico identificado. Nesse caso, a confiança na identidade do cloro ou qualquer outro agente de asfixia é questionado precisamente por causa da inconsistência com os sintomas relatados e observados. A inconsistência não foi observada apenas pela equipa da missão de investigação, mas fortemente apoiada por três toxicologistas com experiência em exposição a agentes de guerra química. ”

Ainda outro ponto de discórdia é a localização e condição dos cilindros que continham o agente químico. Alega-se que sua condição pode não ser consistente com a queda do ar, em comparação com os danos na área circundante. Isso foi discutido num relatório de engenharia não divulgado da OPCW mas que o Wikileaks publicou em Outubro de 2019 e indica que é improvável que os cilindros tenham caído do ar.

As secções que discutem este facto estão ausentes no relatório editado. "Essas informações foram importantes para avaliar a probabilidade da "presença" de produtos químicos tóxicos versus o "uso"de produtos químicos tóxicos", afirma o e-mail.

Aqui n'Os Tomates, como já sabem, não pretendemos chegar a grandes conclusões. Deixamos isso para vocês todos. Mas, como sempre, perguntamos:
Quantas vezes precisamos ver como os truques são feitos para deixarmos de acreditar em magia?

Faça aqui o download do e-mail em PDF (wikileaks)





Veja mais aqui n'Os Tomates, nomeadamente "Passatempo: Morrer várias vezes", onde mais um embuste com colaboração dos media habituais, associados à nossa distracção e falta de memória, é posto de uma maneira... divertida?!

E claro, como sempre, espreite o futuro com perguntas, também aqui n'Os Tomates do meu Avô




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6 de dezembro de 2019

A Falha da Greta, da Velhota e o Maldito Dinheiro



A VÍDEO-CARTA DE MICHELLE STIRLING PARA GRETA THUNBERG

Quem tem primos tem tudo. E um pequeno comentário do nosso primo Vitor, "Maldito dinheiro", com que publicou "A Falha de Greta", um vídeo muito bem produzido, muito profissional, muito paternalista, muito cheio de conceitos que parecem muito correctos, narrado e apresentado por Michelle Stirling dos Amigos da Ciência, levou-nos a concluir que as palavras do nosso primo, "Maldito dinheiro", contêm mais informação do que o vídeo em si.

Para quem tem raivinhas por pessoas que são alvo de atenção mediática como a miúda Greta, o vídeo é uma coisa maravilhosa, pois dá aquele tabefe que muitos queriam dar (provavelmente dão quando entre quatro paredes), mas que para efeitos sociais, tem mais estilo assim.

Uma senhora bem falante, a confirmar o que já pensavam, e ainda por cima a pôr a pirralha no seu lugar com argumentos "científicos" e mesmo morais. No final, ficamos todos contentes, a miúda é mandada para a escola e todos podemos dormir descansados, pois está tudo bem.

Tanto aparato, tanta razão, mas... A frase do nosso primo "Maldito dinheiro" não deixou de nos apoquentar. E levou-nos a:

Investigação do National Observer, Canadá

A grande Falha, afinal, está na velhota Michelle (já se sabe daquela invejazinha das mulheres mais velhas pelas mais novas - também a ciência o documenta - mas neste caso é mais do que isso - O dinheiro, o maldito dinheiro!).


Pode-se então, adiantar, que a Michelle Stirling deve ter tido um duplo prazer na feitura do vídeo.

Vejamos:
Michelle Stirling é uma profissional paga pelo grupo Canadiano Friends of Science Society. Um grupo cujo nome apareceu num processo de falência de uma gigante do carvão dos EUA, e que levantou a cortina do financiamento de uma sofisticada campanha de marketing em todo o continente, projectada para enganar o público sobre como a actividade humana está a contribuir para a degradação do planeta.

Um documento, com quase 1.000 páginas, lista a Sociedade dos Amigos da Ciência (Friends of Science Society), com sede em Calgary, como um dos credores da outrora poderosa empresa de carvão, Peabody Energy.

Cientistas suspeitavam há muito tempo que o chamado grupo "Friends of Science Society" é uma fachada para empresas de combustíveis fósseis que tenta bloquear as acções do governo para reduzir a poluição, mas os membros da Friends of Science sempre se recusaram a revelar as suas fontes de financiamento.

Os documentos da falência da Peabody Energy mostram que a gigante do carvão - conhecida por fazer lobby agressivo contra as regulamentações ambientais - tinha algum tipo de acordo financeiro com seus “amigos” de Calgary. Mas, quando questionada, a porta-voz do grupo de Calgary, Michelle Stirling, disse que não estava ciente da conexão.

"Isso seria novidade para nós", escreveu, Michelle Stirling, numa resposta por e-mail a uma pergunta do National Observer.
O documento não mostra a quantidade de financiamento fornecida.
Stirling disse que precisaria rever o documento, "Até que eu veja, na íntegra, o documento e verifique a fonte, não posso dizer muito mais.”


Esforço coordenado para atacar a ciência, diz a Greenpeace

Keith Stewart, chefe de campanha do Greenpeace no Canadá, disse que os documentos comprovam o que a indústria vem tentando fazer para manipular a opinião pública.

"Há décadas que há um esforço coordenado para atacar os cientistas como uma maneira de adiar as acções sobre as mudanças necessárias", disse Stewart.

Governos de todo o mundo também aceitaram que a ciência mostra que os seres humanos devem abandonar os combustíveis fósseis nas próximas décadas para evitar danos irreversíveis nos ecossistemas e à vida na Terra.

O grupo Friends of Science Society diz que passou uma década a rever literatura sobre o clima "e concluiu que o sol é o principal factor de mudança climática, não os gases poluentes".

O grupo foi criado há mais de uma década, também usando fundos da Universidade de Calgary para financiar suas operações, incluindo viagens, vinhos e refeições. Mas a universidade, decidiu mais tarde encerrar a associação após uma auditoria.

Eles criaram a sua organização, iniciada com uma doação de US $ 175.000 da Talisman Energy - outra empresa de combustíveis fósseis - para pressionar contra a decisão do governo canadiano de ratificar o Protocolo de Kyoto em 2002.

* A Friends of Science Society também realizou uma sofisticada campanha de relações públicas, incluindo publicidade nas eleições federais de 2006 que desafiavam a posição do governo.

O Centro de Media e Democracia informou em meados de Junho que a Peabody doou fundos a uma "rede de indivíduos, cientistas, organizações sem fins lucrativos e organizações políticas que defendiam a negação da poluição por queima de carvão e combustíveis fósseis."

Outros beneficiários incluem Willie Soon, um engenheiro aeroespacial que argumenta que os raios solares e não os gases poluentes causam as alterações na atmosfera, e que já havia recebido financiamento da ExxonMobil; e O Comité para um Amanhã Construtivo (CFACT), cujo filme recente, Climate Hustle, contém também informações enganosas pagas.

Kert Davies, director do Climate Investigations Center e um dos pesquisadores que descobriram as ligações de Peabody com os grupos de negação climática dos EUA, disse ao National Observer:
“O financiamento da Peabody de grupos como Friends of Science e outros como CFACT mostra uma intenção clara da empresa de intervir no debate sobre políticas públicas, lançando dúvidas sobre a ciência. Eles sabem muito bem que a ciência é um motor que impulsiona e informa a política e as sociedades."

"O financiamento da Friends of Science Society pela Peabody confirma o conflito de interesses e a sua falta de credibilidade. Mas isso só confirma o que já sabíamos. Não é nenhuma surpresa. Eu já suspeitava que eles estariam a fazer jogo sujo", disse também.

A revelação sobre o financiamento de grupos como Friends of Science Society pela Peabody provocou uma reacção indignada entre cientistas e cidadãos Canadianos.

Danny Harvey, professor de geografia da Universidade de Toronto também observou que a Exxon Mobil está actualmente sob escrutínio depois de encobrir o que sabia sobre os efeitos desastrosos globais devido aos gases tóxicos da industria dos combustíveis fósseis.

Ao mesmo tempo, o National Observer também soube que o Bureau da Concorrência avançou com uma investigação sobre a Friends of Science Society.

A investigação citou a Friends of Science Society por propagar representações falsas e enganosas relacionadas a vários outdoors, representações de sites, posters e vídeos disponibilizados para download gratuito no site.



Nós aqui n'Os tomates, como já sabem, pretendemos sempre e só, procurar a pergunta.

E tentamos ter sempre tomates para:
  - enfrentar a injustiça;
  - as autoridades vigentes e as retóricas vigentes; 
  - os interesses instalados.

Acima de tudo nunca parar de procurar o que possa estar errado:
- nas nossas próprias verdades
- nas "verdades" dos media, dos políticos, dos economistas e restantes "especialistas";

Mas também, claro, e por consequência, nas "verdades" das pequenas grandes activistas.

Por isso, infelizmente, e como um mal nunca vem só, também sabemos que:

As grandes narrativas actuais correspondem a uma espécie de realidade e;
A comunicação de dados científicos também está capturada por estratégias.
(ver EXTRAS - Why “Green Growth” Is an Illusion e Go Florianópolis)
Mas mais grave do que a ilusão dos seguidores da Greta, porque não seria uma má ilusão, é a desilusão de se saber como a ilusão da Greta e consequentemente de milhões de pessoas, faz parte de uma trama, já com décadas, onde (não fiquem totalmente chocados) os patrocinadores dos corruptos Anti-Greta, são também os principais patrocinadores do guião "Salvem o planeta" da pequena.

O mistério em forma de quebra-cabeças assenta na pergunta:
Porque é que os mesmos interesses poderão estar a investir simultâneamente nos dois lados da barricada?

Pista:
"Provoca o problema e aparece com a solução."
ver, brevemente, "QUANDO A CURA É A DOENÇA"

Palavras chave para vosso passatempo:
Plutocracia e WWF



PRÓXIMOS DIAS
"NÃO, AFINAL ANDREW YANG NÃO LEU AGOSTINHO DA SILVA"
e
"QUANDO A CURA É A DOENÇA"




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2 de dezembro de 2019

Passatempo: Morrer várias vezes



Os eventos mais horríveis são relatados entre manchetes cor-de-rosa. As coisas mais aterrorizantes recebem nomes que nos entediam até às lágrimas. Esses eventos são seguidos de debates com especialistas em tudo, e conduzidos, rumo ao vazio, por actores especializados em jornalismo.

Isto tudo talvez lhe pareça uma crítica muito injusta, muito longe da realidade. Provavelmente a visão duma pessoa extremista, ou de esquerda ou de direita ou, pior ainda, extremista nem de esquerda nem de direita.

Na verdade qualquer pessoa, de qualquer idade e condição, poderá todos os dias reconhecer, exemplo atrás de exemplo, o que refiro.

Mas que mal isso tem? Terá algum?
Talvez essas manobras sejam só um contributo para a paz social por efeito das pessoas ficarem calmas e anestesiadas.E contentes logo a seguir, quando percebem que já está disponível o novo auricular sem fios, ou a nova série de mortos-vivos que bate, em potencial educativo, qualquer outra coisa sobre mortos ou vivos.

Usando então o tema do morto-vivo, apresento, como bónus didáctico, um pequeníssimo passatempo, mais engraçado e mais rápido do que o fortnite, e só sendo necessário o google, que consiste em:

Procurar, Quem,
cuja morte foi anunciada recentemente por um presidente dum país muito famoso, e que os nossos actores de noticias não tiveram a indicação ou a permissão para nos informar que:


Já tinha morrido várias vezes.



29 de novembro de 2019

467 milhões de euros a serem reembolsados aos agricultores europeus

A Comissão Europeia reembolsará 467 milhões de euros aos agricultores europeus,
em conformidade com o regulamento publicado a 27 NOV. 2019


Originalmente deduzido do apoios aos agricultores no orçamento de 2019 no âmbito da política agrícola comum (PAC), esse valor tinha sido dedicado à reserva de crise agrícola deste ano.

A reserva de crise não foi necessária em 2019, embora o setor agrícola tenha enfrentado situações complicadas este ano. Por exemplo, medidas adicionais de apoio foram implementadas para ajudar os agricultores afetados pelo clima extremo neste verão.

A decisão significa que os valores deduzidos dos pagamentos diretos este ano podem ser reembolsados ​​aos agricultores pelos Estados membros a partir de 1 de dezembro de 2019.

O conceito de reserva para crises agrícolas e o seu mecanismo de reembolso foi acordado na reforma da PAC de 2013. Foi aplicado pela primeira vez no ano de 2014. A dedução aplica-se apenas a apoios acima de 2.000 €.

27 de novembro de 2019

O mito mais repugnante

Em 1950, a UNESCO emitiu uma declaração afirmando que todos os seres humanos pertencem à mesma espécie e que "raça" não é uma realidade biológica, mas um mito.





Existem mais de 130 milhões de artigos e documentos acessíveis em 0,54 segundos via google, que poderão educar qualquer pessoa sobre o facto das raças, pura e simplesmente, não existirem.

Esse mito insidioso é o primeiro e principal combustível do racismo (esse sim existe), e revela-se todos os dias em pseudo sábios que alertam as massas de que o racismo é errado porque "as várias raças se deveriam dar todas bem, construir pontes, etc".
As raças não existem, raios!!


Mas a ignorância existe e é aí que o racismo se perpetua.

A existência de raças é o mito inventado pelo racismo. E qualquer um que o perpetue é um racista repugnante ou no mínimo um cidadão ignorante.

Mas quando deparamos com um cidadão jovem, a escrever um artigo intitulado "white power" que se revela, como o próprio autor confessa no primeiro parágrafo, um clickbait (em bom português - um engodo), e que se resume a uma pseudo-lição de tolerância, alavancado numa arrogância típica do ser cheio de si próprio, com laivos dum paternalismo cuja ignorância o transforma em coisa patética e publicado, não pela "vanessa no facebook" mas pelo nosso Diário de Trás-os-Montes, ficamos perante uma situação em que não se pode ser indiferente.

A ideia de que existem várias raças é uma ideia inventada para justificar o injustificável (o bem-intencionado jovem até escreve "Não, não acredito na supremacia da raça branca (ou caucasiana) sobre qualquer outra. Não, não acredito em superioridade de qualquer raça em detrimento de outras").

Qualquer referência a "raças humanas", mesmo que para "criticar" o racismo é totalmente nefasta, repugnante e injustificada pois a informação sobre o facto de não existirem raças é esmagadora e quem se atreve a escrever para outros tem a obrigação de o saber (100 milhões de artigos no google não chegam? Ou serão muito longos?)

Otto Paradis - Primo


25 de novembro de 2019

"A Bolívia pretence a Cristo."

Pachamama 
(do quíchua Pacha, "universo", "mundo", "tempo", "
lugar",
 e Mama, "mãe", "Mãe Terra")
 é a deidade máxima dos povos indígenas.


After the Evo Morales government resignationLuis Fernando Camacho broke into the presidential palace along with a group of others[15] and declared:

 “Pachamama will never return to the palace, Bolivia belongs to Christ."









Podcast - ouvir aqui








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