O governo americano a colocar, claro, lucros em primeiro lugar, pressiona a Tailândia para não proibir produtos químicos nocivos fabricados pela Dow, Syngenta e Monsanto.
De acordo com as notícias tailandesas, as autoridades americanas alertam que a proibição interferirá no comércio. Os EUA estão especialmente "preocupados" com a proibição de glifosato, argumentando que isso poderia limitar centenas de milhões de dólares nas importações tailandesas de grãos norte-americanos, que geralmente são misturados com resíduos de glifosato.
Oficiais tailandeses indignados dizem que foram forçados a "explicar claramente" às autoridades americanas que a prioridade da Tailândia é a saúde dos consumidores tailandeses. "O nosso trabalho é cuidar da saúde das pessoas", disse o ministro da Saúde Pública, Anutin Charnvirakul, à imprensa.
Aqui n'Os Tomates interrogamo-nos se não será um indicador muito sombrio para a América, quando líderes estrangeiros precisam dar uma palestra às autoridades americanas sobre a importância de priorizar a saúde pública sobre os lucros das empresas.
Os líderes da Tailândia disseram que, a proibição entrará em vigor para o uso dos seguintes produtos químicos agrícolas: clorpirifós, um insecticida popularizado pela Dow Chemical; Paraquat da Syngenta, um herbicida que é proibido na Europa desde 2007; e o herbicida de glifosato da Monsanto.
A Dow, a Syngenta e a Monsanto uniram-se para exercer o seu poder em Washington para manter seus pesticidas no mercado. Estas empresas, porém, não têm a mesma capacidade em manter líderes estrangeiros alinhados.
A Tailândia alinha-se, naturalmente, com dezenas de países que já proibiram ou planeiam proibições destes produtos. O Comité Nacional de Substâncias Perigosas da Tailândia votou em Outubro pela proibição dos três produtos devido aos perigos estabelecidos por evidências científicas.
Os líderes da Tailândia foram motivados em parte por pesquisas que mostram que o uso desses produtos químicos na agricultura não apenas coloca em risco os trabalhadores agrícolas, mas também põe em risco os consumidores, porque os resíduos persistem em frutas, vegetais, grãos e outros alimentos, além de contaminarem a água.
Se ao menos os líderes americanos tivessem tanta clareza moral.
Nos Estados Unidos, os resíduos de pesticidas são tão comuns nos alimentos domésticos que um relatório da Food and Drug Administration publicado em Setembro revela que mais de 84% das frutas domésticas, 53% dos vegetais e 42% dos grãos vendidos aos consumidores contêm resíduos de pesticidas.
Apesar disso, os governantes americanos repetem as mensagens da indústria, que insiste que as exposições alimentares a pesticidas não são motivo de preocupação e que os riscos para os trabalhadores agrícolas podem ser mitigados com treino adequado, roupas de protecção e outras medidas.
O clorpirifós estava programado para ser banido há dois anos nos EUA, mas quando Trump assumiu o cargo, a EPA decidiu adiar qualquer acção até pelo menos 2022. A agência está a actualizar a sua avaliação de risco do paraquat; mas parece pronta para permitir o uso continuado, embora com restrições. E no início deste ano, a EPA afirmou que continua a não encontrar riscos para a saúde associados ao glifosato.
Um exemplo da lealdade governamental foi apresentado no relatório de um consultor interno da Monsanto tornado público devido a processos civis contra a empresa. O relatório cita um consultor de políticas da Casa Branca dizendo: "Temos a Monsanto a ajudar à regulamentação de pesticidas. E estamos preparados para enfrentar todos os conflitos que possam advir.”
É verdade que todos os dias aparecem novas oportunidades de indignação com o governo de Trump, mas quer se trate de políticas imprudentes, negociações ilícitas ou alianças corporativas controversas, nunca é suficiente para alarmar os americanos.
Mas quando se trata dos alimentos que comem e com que alimentam as suas famílias, apenas se prejudicam quando ignoram políticas que literalmente promovem o envenenamento dos seus filhos.
E tudo isto para que grandes empresas possam aumentar os lucros?
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