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31 de outubro de 2019

Base Moral - Prima Rebeca

Ironia das ironias que, por medo de uma invasão externa que viria roubar a Europa do seu cristianismo, os mesmos europeus abdicaram de vez da sua própria cristandade.

Pois quem recusa agir para resgatar um ser humano, aceitando a alternativa de ver pessoas afogarem-se às suas portas, simplesmente não tem qualquer base moral.

Como me dizia alguém um destes dias "para mim ser cristão é ser uma boa pessoa". E talvez o problema de base resida mesmo aqui. A maioria dos cristãos acredita que a moral e a bondade são características identitárias.
Enquanto um ateu, um agnóstico, alguém sem uma "tribo" moral, sente a necessidade de agir, de fazer o bem para poder dormir de consciência tranquila, já que a sua moral se baseia na empatia, para muitos religiosos, não apenas cristãos, a moral não vem com a prática. Se eu já sou uma boa pessoa, logo à partida então não preciso de fazer o bem, não preciso de fazer nada. 

Basta-me garantir que pertenço à tribo correcta, que cumpro os protocolos da mesma, vou ao templo, visto-me e falo da maneira certa e portanto "boa" e pronto. Sou uma boa pessoa. 
Para quê a prática?

Rebeca das Neves (Prima Rebeca)


28 de outubro de 2019

Se ao menos as "pessoas"

A Boeing por decisões tomadas ao mais alto nível, provoca a queda de aviões e a morte de centenas de pessoas.

A Volkswagen, ao mais alto nível, decide enganar, a uma escala industrial, toda a população.


Os governos, em todo o mundo, decidem, socializar dívidas de organizações financeiras, destruindo vidas e famílias.

Organizações mundiais, com os melhores especialistas, atestam a segurança de químicos sintéticos, e trabalham, diligentemente, para assegurar que a próxima geração de químicos será, essa sim, segura (como já eram os de há 40 anos atrás).

Existe um problema? Não parece, pois não?

Se ao menos as "pessoas" que recebem o rendimento mínimo fossem trabalhar. Por exemplo a substituir máquinas que gastam energia e estragam o ambiente.
As Pessoas que recebem os rendimentos máximos poderão viver num mundo muito melhor. Mais verde. Mais bonito.

(Pessoas com Pê grande e sem aspas são mais sofisticadas e têm um sentido estético mais apurado.)



24 de outubro de 2019

PODCAST - Episódio 8 - Chris hedges

Chris Hedges dá aulas há vários anos nas prisões de Nova Jersey.
É um jornalista americano e ministro presbiteriano.
Descreve-se como 
anarquista cristão.

 



Christopher Lynn Hedges (nascido em 18 de Setembro de 1956) é professor visitante da Universidade de Princeton.
É autor de livros extraordinários como:War Is a Force That Gives Us Meaning (2002)
Empire of Illusion: The End of Literacy and the Triumph of Spectacle (2009);
Death of the Liberal Class(2010);
Days of Destruction, Days of Revolt (2012), written with cartoonist Joe Sacco;
Wages of Rebellion: The Moral Imperative of Revolt (2015);
e o mais recente
America: The Farewell Tour (2018).

É reconhecido e admirado por ter abandonado o seu lugar no The New York Times para não se submeter à política do jornal de apoio à guerra no Iraque.


 

Como prometido, hoje no podcast, um aperitivo de Chris Hedges com o seu pessimismo e o seu poder a partir do púlpito.



23 de outubro de 2019

Go Florianópolis

Florianópolis tornou-se o primeiro município brasileiro “livre de agrotóxicos”. 
Uma lei já aprovada e sancionada, proíbe o armazenamento e aplicação de pesticidas de qualquer tipo, e passa a ser um crime passível de multa. Go Florianópolis! 




Consta que nos sentiremos tão bem nos sonhos onde as abelhinhas ainda existem.

"Em Portugal os níveis de segurança dos alimentos vendidos estão acima da média da União Europeia. Os números são da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e revelam que 98,4% dos alimentos produzidos em Portugal estão livres de resíduos de agro-químicos ou com níveis de resíduos dentro dos limites legais.
Esta percentagem compara com a média da Zona Euro que é de 96,2%."
artigo em Vida Rural  98,4% dos alimentos estão livres de agroquímicos

Porém, aqui na quinta, onde até a calda bordalesa é usada muito muito raramente (1 único uso em 2019, em pessegueiros), nestas semanas pós colheitas e a tentar pôr um pouco das tertúlias no blogue, a tentar pôr um pouquinho de tudo no blogue, não pudemos deixar de notar um curioso mito que prevalece mesmo entre os mais bem informados. De que o uso de agro-químicos é moderado na União Europeia comparando-se por exemplo com os Estados Unidos.

Não se iludam. Infelizmente a realidade não é exatamente essa.

Se as políticas europeias se podem caracterizar por

"É seguro provando-se que é seguro";
as americanas são
"É seguro se não se provar que é inseguro",
o que, convenhamos, deixa as pessoas do lado de cá do lago mais descansadas...
mas, se formos então ver o que realmente se passa, verifica-se que em 2000 os Estados Unidos da América aplicavam 2,38Kg de pesticidas por hectare e na europa 4,5 kgs por hectare.

Diferenças nos tipos e densidade de culturas explicam e justificam muito dessa diferença mas o que aqui nos interessa é a quantidade total de pesticidas usados, sendo que as justificações para isso não são de nenhum interesse aqui. 


19 anos depois, anos dum suposto acordar das massas para estas questões, o uso de pesticidas nos U.S. diminuiu significativamente??? Não.
Mas não aumentou. Estagnou à volta de 2.2kg por hectare.

Na Europa, há 20 anos o agricultor holandês usava 11kgs agora 9.88Kgs por hectare e o português 6,38kgs agora 5,98kgs por hectare.
O espanhol usava 1,97kgs e agora usa 3kgs por hectare.

A média europeia rondava os 4,5kgs, situando-se actualmente nos 4,1kgs. 

Não estranhem então, caros amigos, que artigos muito bons como, 
Vida Rural: Controlo de Pesticidas em Portugal
Vida Rural: 98,4% dos alimentos estão livres de agroquímicos,
baseados num estudo que pode ser consultado no site da EFSA, com dados comparativos por país e produto, disponível em quatro idiomas, aqui, 
possam revelar o verdadeiro problema, que no fundo e infelizmente, transcende a atual retórica da esperança de que a União Europeia, com os seus standards, conseguiu uma coisa muito boa. 

E o problema é que 20 anos de políticas "realmente" muito muito boas não alteraram a trajetória de constante subida do numero de toneladas em vendas de pesticidas.

A União Europeia e os seus estados membros terão algum depósito? Alguém está a comprar pesticidas para não os usar?

Tudo o resto é muito bonito mas... ou melhor, nem sequer é bonito, pois também os números oficiais sobre a prevalência de resíduos nos alimentos, como o dito estudo em 4 idiomas da EFSA, não nos deve deixar descansados.

Na prática e para todos os efeitos estamos a usar toneladas de produtos tóxicos, todos os anos, sempre, sem fim à vista, mas como só 1 % nos chega à boca por via dos alimentos, está tudo bem.

1% com quantidades significativas mas 99% com quantidades tão pequeninas que não se conseguem/querem medir e estamos todos no bom caminho.

Mas os mesmos números revelam que afinal só 50% dos alimentos é que realmente poderão não conter algum resíduo. Os outros 50% contêm definitivamente resíduos, mas muito pouco.

Tirando os tais 1,6% que realmente são terríveis os restantes 98,4% poderão não ter problema nenhum. Só o futuro o dirá.

No futuro com certeza estes químicos serão esquecidos, outros químicos, esses sim muito seguros, outras políticas e outras retóricas, essas sim muito eficazes, mostrarão como tudo se pode resolver desde que todas as águas, todos os alimentos e também o ar contenham o composto químico certo na quantidade correta. 
Consta que nos sentiremos tão bem nos sonhos onde as abelhinhas ainda existem.

VER INFOTERTÚLIA (DIA 14)

21 de outubro de 2019

Governos, façam pausa!

Várias organizações e comunidades defendem que os governos parem de usar formas de videovigilância de reconhecimento automático e outros métodos de inteligência artificial, que se revelam pouco artificiais e pouco inteligentes.

Defendem que o façam imediatamente, principalmente à luz do que os pesquisadores do MIT Media Lab e outros descobriram sobre suas altas taxas de erro - principalmente para mulheres e pessoas de cor.

Esta ameaça à nossa privacidade não provoca só calafrios, mas amplifica as distorções já presentes nas sociedades.
Pergunte-se então, a representantes e demais intelectuais, que debates, que estudos, que projectos estão actualmente em cima da mesa europeia. Que modelos, métodos ou teorias foram pensados para avaliar as reais consequências.
Façam pausa para garantir, antes de tudo, que as pessoas têm os mecanismos e as salvaguardas legais para simplesmente banir essa tecnologia antes que esse tipo de vigilância em massa se torne a norma. 

Aqui na quinta, na tertúlia, a maior surpresa foi a constatação da quase inexistência de "luta contra a video-vigilância". O que é preocupante.
Uma vez a estrutura física vigilante esteja implementada no terreno e na nossa mente, nas nossas ruas e nos nossos telefones, nos gabinetes médicos e nos bares, nos locais de culto e nos festivais, o uso de sistemas "programáveis" para automatizar as vigilâncias, o uso de pseudo-inteligência para nos reconhecer e nos definir fará exactamente isso. 
Definir-nos-á.

20 de outubro de 2019

Esta semana n'Os Tomates


Continua o debate aqui na quinta. Semana semi-especial n'Os Tomates pois a  quinta-feira que antecede o último sábado do mês é exactamente a penúltima quinta-feira. Facto que a elegia para quinta-feira super especial d'Os Tomates porém estamos num mês par.

Ultimas semanas de Outubro:

Actualmente:

- Políticas públicas, lobbys industriais e alimentação.

- ervilhas e favas 2019/2020

 Próximos dias  
Chris Hedges no PODCAST 
(já com muito atraso)
DIA 24 - QUINTA-FEIRA



19 de outubro de 2019

Xarope glucose-frutose

Xarope de milho com alto teor de  glucose-frutose  
Este substituto do açúcar é encontrado em quase todos os refrigerantes e alimentos processados.
O seu uso também é generalizado nas panificadoras e confeitarias. 
Este tipo de açúcar artificial não existe naturalmente e é  70% mais barato do que o açúcar.
 

No entanto traz grandes riscos como hipertensão, diabetes tipo 2, problemas no fígado e outros.
Um estudo realizado pela Universidade de Princeton demonstra que os ratos que consumiram esse xarope ganharam gordura 300% mais rápido do que aqueles que comeram açúcar obtido de frutas in natura.





Quase tudo o que comemos e bebemos nos dias de hoje contém este ingrediente.
Especialmente se comemos frequentemente alimentos processados ou em restaurantes de fast food. 


Refrigerantes açucarados contêm até 52 gramas de açúcar.
Como exemplo bizarro/surrealista temos muitos norte-americanos que actualmente se esforçam para comprar a versão mexicana de refrigerantes, porque contém açúcar real.


A prevalência deste ingrediente nos alimentos foi identificada como causa de obesidade e diabetes em larga escala.



mas...
porque é que isto aparece agora aqui n'Os Tomates?

Como de costume o tema emergiu na tertúlia do Avô e como também é típico evoluiu para algo mais, como por exemplo:

- processamento industrial/artesanal

- Normas médicas/políticas públicas

e... como não podia deixar de ser,

- Uniformizações forçadas/Lobbying
ou as tristes histórias dos lobbys industriais e de como condicionaram criminalmente o que a população planetária come e bebe.



Tudo isso e muito mais nos próximos temas de debate,

porque como vão percebendo aqui n'Os Tomates e também no PODCAST vamos tentando dividir temas por 1 ou 2 semanas, que pode ser 1 mês, e grandes temas, que podem ser pequenos por até vários anos mas com pontos de situação às quintas-feiras pelas 22H ou nas infames e famosas quintas-feiras que antecedem o último sábado de cada mês ímpar.




16 de outubro de 2019

Muito mais Outubro 2019

No podast poderá encontrar discussões, debates, ideias e interrogações sobre alguns temas. 
Os vários episódios até hoje fizeram-nos viajar do medo à criação,  da sobrevivência à protecção de dados, mas também da musica à economia (oiçam e leiam por exemplo o genial Business, a poem by Guillevic,
*Ouvir e ler aqui no blog com Pete Seeger e o seu banjo em 1963
ou num contexto mais alargado no episódio 2 do podcast  
*2-
Off  the grid)

Por exemplo
2-Off  the grid  em que se pode assistir a uma entrevista do engraçadíssimo Jesse Ventura ao fundador do Zeitgeist Movement Peter Joseph um pouco a propósito de novas visões económicas que nasceram pós crise de 2008 em movimentos da fornada occupy wall street, 10 anos depois, em 2018 ficamos perante o cenário em que esses movimentos orgânicos de facto tiveram o seu peso nas narrativas outrora na franja agora nas massas. Mas ao vosso cuidado, vão descobrindo e auscultando informações, porque alguns exemplos como ideias de economia baseadas em recursos evoluíram ramificando-se sendo algumas versões um pouco assustadoras, mas sendo o mais assustador, o que informações recentes indicam, o resultado, mais uma vez, da agenda tecnocrática/oligárquica. Neste caso, em breve, tema aqui no blogue!

Como poderão ver, e da mesma maneira, tanto os modelos pós crise se revelaram catastróficos como actualmente parecemos condenados a aplicar modelos e narrativas já em regime de descontinuação. Quando já sabemos que os problemas que vamos ter em grande escala daqui a 10 anos  nem nas agendas aparecem. Arrepie-se em 3 - “Is That A Robot??”

Veja como um ano depois esse episódio do podcast emerge mais relevante, mas ainda ignorado, e é um lembrete sobre O tema das próximas décadas e evidentemente, aqui na quinta, um tema principal, nas próximas semanas.

Espreita o futuro com perguntas, sempre, aqui, n'Os Tomates.



Próximos episódioshttps://ottoparadis.podbean.com/
 

próxima semana provavelmente (não sei se será possível)
O extraordinário caso de Andrew Yang candidato à presidência americana;

 
Próximos dias
Chris Hedges 
(já com atraso - já pedi desculpa noutros fóruns - setembro é mês de colheitas - enquanto vos escrevo partiu-se uma pernada duma árvore - não faltava mais nada - já oiço a avó a barafustar)


Por fim, leiam o blogue que terá algumas actualizações da tertúlia do Avô, sobre os seus tomates e outras hortícolas (estamos na época da marmelada e outros doces)

Em destaque irá estar:

Novos molhos picantes com respectiva receita;

Leveduras desidratadas caseiras. Teste de primeiro ano; 

Viagem do Avô a Leamington ao Tomato Fest, e como, segundo ele, devíamos ter ganho a prova de sabor do coração de boi.







Podcast - ouvir aqui








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