Em aceleração nos últimos 8 anos e a ser meticulosamente conseguida nos anteriores 200, a construção duma História idealizada será sempre e sempre foi um problema. Se quisermos reduzir em muito as nuances com que vemos o mundo podemos até afirmar que sempre foi e sempre será O Problema.
Sendo uma das ferramentas dos Poderes, nunca se salienta como a mais poderosa. Outras ferramentas poderosíssimas como o Medo e a Divisão, fundamentais no uso de outras técnicas decisivas como a Conspiração, a Intriga, a Guerra, aparentam ter sido as mais criticas no caminho milenar dos Povos. Porém...
Temos que começar pela própria forma como definimos, catalogamos, interpretamos o conceito - Povos.
E antes ainda temos de perceber que, agora como há 3000 anos, quando as pessoas se veem como parte dum qualquer povo, uma das questões mais importantes sempre foi, é e será - Qual é a nossa História?
Sempre foi necessário, por isso, a qualquer Poder, garantir que "uma História", e não outra, nos retrata. E esse poderoso Nós é e sempre foi o Nós manipulado, mitológico, falso. O Nós que não emana das pessoas, mas duma construção idealizada de estado, de nação.
Essa noção poderosa do Nós, imediatamente, à nascença, foi separada dos progenitores, dos homens e das mulheres, dos povos como gente, das populações que partilham a história real dos dias e dos sonhos; na dor, no medo, na perda, na memória e honra aos antepassados, para ser entregue, bebé, a elites poderosas.
Sem a construção idealizada da História por parte dos Poderes, a centralização e a extensão desse Poder seria tão menor que provavelmente hoje viveríamos num mundo com alguns milhares de Países "reconhecidos".
Mas "ganharam" as versões idealizadas da história e aqui estamos. E resta perceber como após a criação dum qualquer Estado-Nação muito do sucesso ou insucesso, muitas das conquistas e das tragédias, muitos dos heróis e das vidas perdidas em guerras e à fome, foram provocadas por essa permanente manipulação da História por parte dos poderes vigentes.
Actualmente os níveis de manipulação são elevadíssimos e recorrem tanto às mais refinadas técnicas como às mais primordiais e simples. São naturalmente super-eficazes pois assentam em muitos meios e muita prática e conseguem mudar a percepção histórica num curtíssimo prazo.
A pandemia mostrou isso mesmo, com alterações profundas na percepção global no espaço de algumas semanas ou poucos meses. E no seu seguimento, no mundo ocidental, com toda a confiança, com todos os testes realizados, com todos os actores bem ensaiados, a percepção construída em relação à guerra civil na Ucrânia foi formatada em 48 Horas e robustecida em 5 dias.
Claro que, neste caso, essa versão distorcida da realidade, de tão básica, tão maniqueísta, tão infantil, acabou por só ser prevalente em aproximadamente 50 Países. E mesmo nesses países, pelos mesmos defeitos, não convenceu propriamente uma maioria da população, o que levou aos mecanismos sinistros da censura, da perseguição, da calúnia, da diabolização.
Mas a esmagadora maioria da população mundial, todos eles também sujeitos a estas e a outras manipulações da História, olham-nos espantados. O que que é que ainda não percebemos? Que a nossa inteligência é assaltada diariamente por estes media ao serviço do poder, cheios de ritmo e HD onde tudo se mistura e distorce.
O genocídio seguido das festas de santa teresinha, os golos da champions no meio do avanço das chamas, recordes de chuva entremeados no problema da imigração, o chefe-terrorista morto pela quinta vez seguido do elogio aos "valores ocidentais", a imoralidade do Papa explicada pelo jornalista desportivo agora especialista em geopolítica (!?!).
A Guerra é "Paz", a mentira é "Justiça", a criação de inimigos é "Segurança", e agora cortadores de cabeças são "moderados".
Lideranças fortes para esconder elites fracas, puritanismo dos "valores" para esconder a corrupção moral.
Agora, certos poderes sabem que é ainda mais crítica a construção duma história idealizada. Senão como os perdoamos? Como somos e seremos vistos? E lembrados?