Pois quem recusa agir para resgatar um ser humano, aceitando a alternativa de ver pessoas afogarem-se às suas portas, simplesmente não tem qualquer base moral.
Como me dizia alguém um destes dias "para mim ser cristão é ser uma boa pessoa". E talvez o problema de base resida mesmo aqui. A maioria dos cristãos acredita que a moral e a bondade são características identitárias.
Enquanto um ateu, um agnóstico, alguém sem uma "tribo" moral, sente a necessidade de agir, de fazer o bem para poder dormir de consciência tranquila, já que a sua moral se baseia na empatia, para muitos religiosos, não apenas cristãos, a moral não vem com a prática. Se eu já sou uma boa pessoa, logo à partida então não preciso de fazer o bem, não preciso de fazer nada.
Basta-me garantir que pertenço à tribo correcta, que cumpro os protocolos da mesma, vou ao templo, visto-me e falo da maneira certa e portanto "boa" e pronto. Sou uma boa pessoa.
Para quê a prática?
Rebeca das Neves (Prima Rebeca)
