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28 de fevereiro de 2020

O voto é o problema?


Acreditamos realmente que as oligarquias colocam o sistema em risco a cada quatro anos esperando que o público não use as urnas para as colocar fora do poder?

H.L Mencken, no seu inimitável estilo brincou:
"O estado - ou, para tornar o assunto mais concreto, o governo - consiste num gang de homens exactamente como você e eu.  Eles não têm um talento especial para os assuntos da governação; eles têm apenas talento para obter e manter cargos de poder."

Ou Wendy McElroy, que nos lembra que:
"Votar não é um acto de liberdade política. É um acto de conformidade política. Quem se recusa a votar não está a expressar o silêncio. Mas sim a gritar ao ouvido do político: Você não me representa.  Eu não acredito em si."
Sim, votar é pior que um beco sem saída. É mau, imoral e inútil. É o acto de quem interiorizou o sistema tão completamente que quer garantir que todos ao seu redor são governados desta maneira.

Mas, em vez de se sentir bem por esse acto sem sentido e imoral, podemos pelo menos concordar em usar todos os outros dias para fazer algo realmente produtivo.


E fica ao vosso critério, caros amigos, como interpretar "realmente produtivo", mas se podemos oferecer algumas humildes sugestões:


Encontre, participe ou crie uma organização comunitária ou uma célula de liberdade com a ideia de promover ligações, parcerias e laços sociais com pessoas da sua área geográfica.


Encontre, participe ou crie uma moeda comunitária, um programa de comércio comunitário ou intercâmbios comunitários.

Comprometa-se a passar um certo período de tempo, divulgando a consciencialização sobre as oligarquias bancárias, os falsos terrorismos, as culturas OGM ou qualquer assunto sobre o qual você se sinta bem, offline ou online, usando e divulgando o trabalho de outras pessoas ou iniciando seu próprio blog, boletim ou grupo comunitário.


Aprenda sobre jardinagem, conservas, conserto de electrodomésticos, impressão 3D, teoria monetária ou qualquer outro assunto que considere útil.


Leia mais livros. Gaste menos tempo a discutir e mais tempo a empatizar. Aprenda uma nova habilidade e ensine-a a outros.


Em resumo, faça todas as milhões de coisas que não têm nada a ver com a farsa política ridícula reforçada nos dias de eleições.

Porque se tudo o que você faz é pôr uma cruz num boletim de voto passando um cheque em branco, provavelmente acaba por acreditar que o sistema em que vive é uma das melhores coisas já inventadas.






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26 de fevereiro de 2020

Ordem e progresso?


Recentemente, o Ministério da Defesa brasileiro publicou um dossier sobre possíveis ameaças à segurança nacional nas próximas duas décadas. O documento, no entanto, está longe de mostrar qualquer sinal de seriedade, cheio de previsões infundadas, que põem em dúvida até a qualidade do treino académico dos militares envolvidos - ou mesmo algum compromisso com a verdade.

No documento, os militares brasileiros criaram uma série de cenários hipotéticos e alertam que a França se pode tornar uma ameaça real para o Brasil nos próximos anos. O motivo deve-se a uma breve tensão e guerra de palavras entre os presidentes Bolsonaro e Macron no ano passado, devido à crise ambiental e aos incêndios florestais na Amazónia. Para os generais brasileiros, essa já é uma base suficiente para ver a França como uma ameaça real à segurança nacional, ignorando factos notáveis, como os dois países serem os maiores parceiros comerciais na indústria militar, além do facto de que o interesse francês em iniciar uma guerra transcontinental sobre o território amazónico é absolutamente mínimo.

Continuando com as previsões, o documento atesta um futuro de grandes tensões na América do Sul, entre a Venezuela e a Guiana e entre Bolívia e Chile, além da instalação de bases militares chinesas e americanas em todo o continente. O Brasil, alinhando-se aos EUA, actuará como mediador de conflitos regionais e receberá armamentos avançados de Washington. O documento também prevê a instalação de três bases militares americanas na Colômbia e um conflito entre este país e a Venezuela. Especula-se também que a Argentina crescerá economicamente com a exploração de petróleo e que se irá alinhar com a China, mas que o Brasil vetará a instalação de bases chinesas no país vizinho.

O dossier especula que a China ultrapassará os Estados Unidos como potência económica, mas que Washington continuará sendo o líder militar global. O alinhamento brasileiro com o poder hegemónico americano, portanto, será uma questão de sobrevivência e permitirá ao Brasil mediar conflitos regionais, pacificar países vizinhos e conter a influência chinesa na América do Sul. Os generais vão ainda mais longe com suas especulações infundadas e afirmam que o Brasil despertará a fúria de "grupos ultra-nacionalistas no sudeste da Ásia" que, em retaliação, lançarão armas biológicas contra a população brasileira por ocasião do "Rock in Rio" na sua edição de 2039. (?!)

Num breve resumo, o documento cria um cenário hipotético no qual o alinhamento do Brasil com os Estados Unidos não será uma questão de vontade política, mas de necessidade e sobrevivência. Na prática, um grupo de mais de 500 pesquisadores militares criou um mito para justificar o alinhamento com Washington, usando previsões que carecem de significado e bases materiais. O objectivo final é simplesmente promover, à força, a crença de que o Brasil deve-se tornar um aliado americano.

Não se trata de uma idiotice colectiva de generais brasileiros, mas de um projecto elaborado para criar um ambiente de medo em relação a tudo excepto aos Estados Unidos. A presença militar chinesa na América do Sul, a espionagem russa, a ameaça francesa, as guerras regionais, o terrorismo biológico - todas ameaças imaginárias criadas meticulosamente por militares que não estão interessados na defesa nacional, mas na subordinação do país ao poder global hegemónico.

Primo Lucas




O Brasil parece estar a passar por um dos piores momentos da sua história e aqui n'Os Tomates mais uma vez, chamamos à atenção que as elites estão mais comprometidas com interesses próprios, mais dedicadas à criação de mitos que lhes mantenham o status do que com a real defesa dos "seus" povos e, neste caso, estão dispostas a fazer qualquer coisa para ver o Brasil tornar-se um estado militarizado, agressivo e na esfera de influência americana.



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12 de fevereiro de 2020

Re-aprovação do glifosato em 2017 - Fraude em laboratório alemão


Novas descobertas põem em causa o processo de avaliação de segurança de pesticidas da União Europeia.

Um novo estudo revela que o Laboratório de Farmacologia e Toxicologia (LPT) de Hamburgo cometeu fraude numa série de testes, vários dos quais foram realizados como parte do processo de re-aprovação do glifosato em 2017. 
Pelo menos 14% dos estudos oficiais europeus sobre glifosato vieram da LPT -Hamburgo, laboratório este que foi exposto por manipular estudos de toxicidade, substituindo animais mortos por vivos, alterando as descobertas de tumores para "inflamações", claramente distorcendo os dados para agradar outros seus clientes. É altamente preocupante que estes estudos ainda sejam considerados como respeitadores do padrão científico pelas autoridades reguladoras que parecem "acreditar" que este tipo de manipulações são impossíveis.
Pesticides Action Network (Rede de Acção sobre Pesticidas) solicitou à Comissão Europeia que descartasse os estudos realizados pelo laboratório de Hamburgo do dossier sobre o glifosato actualmente em fase de reavaliação a nível da UE e de qualquer outro dossier.
Actualmente, o laboratório enfrenta acusações criminais e, embora seja impossível saber se a fraude ocorreu apenas nos estudos relacionados com o glifosato, qualquer teste realizado pelo LPT de Hamburgo deve ser considerado não fiável e, portanto, descartado do procedimento de reavaliação.
Angeliki Lyssimachou, toxicologista ambiental da PAN Europe, disse: “A grande maioria dos estudos que levam à aprovação de um pesticida é realizada pela própria indústria de pesticidas, directamente ou através de laboratórios contratados como o LPT Hamburgo. Nós criticamos esse conflito de interesses. Nossa coligação de mais de 140 ONGs 'Citizens for Science in Pesticide Regulation' solicita regularmente à Comissão que abandone esse processo escandaloso: os testes devem ser realizados por laboratórios independentes, sob escrutínio público, enquanto o financiamento de estudos deve ser apoiado pela indústria”.

Notas d'Os Tomates:
"No futuro com certeza estes químicos serão esquecidos, outros químicos, esses sim muito seguros, outras políticas e outras retóricas, essas sim muito eficazes, mostrarão como tudo se pode resolver..." in Go Florianópolis (preocupações e interrogações da tertúlia de 14 de Outubro);

- Pessoas como nós, mas a fingir
Claramente, todos os meios de todos os tipos serão usados para proteger os grandes interesses industriais, quase sempre e naturalmente com a conivência dos nossos representantes eleitos, dos media e outros peões. Não deixem de ler, por favor, nos eXTRAs , para se ter a ideia da escala verdadeiramente global deste tipo de fraudes e desinformação, Pessoas a fingir - Europa, África, Índia, EUA;



- E série Fazedores de mitos onde poderão despistar fontes de desinformação quando estão perante artigos sobre questões ambientais propagadas pelos mass-media convencionais. Estas listas revelam, organizações, jornalistas, cientistas e demais "especialistas", como lobistas pagos pelas multinacionais.







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