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6 de dezembro de 2019

A Falha da Greta, da Velhota e o Maldito Dinheiro



A VÍDEO-CARTA DE MICHELLE STIRLING PARA GRETA THUNBERG

Quem tem primos tem tudo. E um pequeno comentário do nosso primo Vitor, "Maldito dinheiro", com que publicou "A Falha de Greta", um vídeo muito bem produzido, muito profissional, muito paternalista, muito cheio de conceitos que parecem muito correctos, narrado e apresentado por Michelle Stirling dos Amigos da Ciência, levou-nos a concluir que as palavras do nosso primo, "Maldito dinheiro", contêm mais informação do que o vídeo em si.

Para quem tem raivinhas por pessoas que são alvo de atenção mediática como a miúda Greta, o vídeo é uma coisa maravilhosa, pois dá aquele tabefe que muitos queriam dar (provavelmente dão quando entre quatro paredes), mas que para efeitos sociais, tem mais estilo assim.

Uma senhora bem falante, a confirmar o que já pensavam, e ainda por cima a pôr a pirralha no seu lugar com argumentos "científicos" e mesmo morais. No final, ficamos todos contentes, a miúda é mandada para a escola e todos podemos dormir descansados, pois está tudo bem.

Tanto aparato, tanta razão, mas... A frase do nosso primo "Maldito dinheiro" não deixou de nos apoquentar. E levou-nos a:

Investigação do National Observer, Canadá

A grande Falha, afinal, está na velhota Michelle (já se sabe daquela invejazinha das mulheres mais velhas pelas mais novas - também a ciência o documenta - mas neste caso é mais do que isso - O dinheiro, o maldito dinheiro!).


Pode-se então, adiantar, que a Michelle Stirling deve ter tido um duplo prazer na feitura do vídeo.

Vejamos:
Michelle Stirling é uma profissional paga pelo grupo Canadiano Friends of Science Society. Um grupo cujo nome apareceu num processo de falência de uma gigante do carvão dos EUA, e que levantou a cortina do financiamento de uma sofisticada campanha de marketing em todo o continente, projectada para enganar o público sobre como a actividade humana está a contribuir para a degradação do planeta.

Um documento, com quase 1.000 páginas, lista a Sociedade dos Amigos da Ciência (Friends of Science Society), com sede em Calgary, como um dos credores da outrora poderosa empresa de carvão, Peabody Energy.

Cientistas suspeitavam há muito tempo que o chamado grupo "Friends of Science Society" é uma fachada para empresas de combustíveis fósseis que tenta bloquear as acções do governo para reduzir a poluição, mas os membros da Friends of Science sempre se recusaram a revelar as suas fontes de financiamento.

Os documentos da falência da Peabody Energy mostram que a gigante do carvão - conhecida por fazer lobby agressivo contra as regulamentações ambientais - tinha algum tipo de acordo financeiro com seus “amigos” de Calgary. Mas, quando questionada, a porta-voz do grupo de Calgary, Michelle Stirling, disse que não estava ciente da conexão.

"Isso seria novidade para nós", escreveu, Michelle Stirling, numa resposta por e-mail a uma pergunta do National Observer.
O documento não mostra a quantidade de financiamento fornecida.
Stirling disse que precisaria rever o documento, "Até que eu veja, na íntegra, o documento e verifique a fonte, não posso dizer muito mais.”


Esforço coordenado para atacar a ciência, diz a Greenpeace

Keith Stewart, chefe de campanha do Greenpeace no Canadá, disse que os documentos comprovam o que a indústria vem tentando fazer para manipular a opinião pública.

"Há décadas que há um esforço coordenado para atacar os cientistas como uma maneira de adiar as acções sobre as mudanças necessárias", disse Stewart.

Governos de todo o mundo também aceitaram que a ciência mostra que os seres humanos devem abandonar os combustíveis fósseis nas próximas décadas para evitar danos irreversíveis nos ecossistemas e à vida na Terra.

O grupo Friends of Science Society diz que passou uma década a rever literatura sobre o clima "e concluiu que o sol é o principal factor de mudança climática, não os gases poluentes".

O grupo foi criado há mais de uma década, também usando fundos da Universidade de Calgary para financiar suas operações, incluindo viagens, vinhos e refeições. Mas a universidade, decidiu mais tarde encerrar a associação após uma auditoria.

Eles criaram a sua organização, iniciada com uma doação de US $ 175.000 da Talisman Energy - outra empresa de combustíveis fósseis - para pressionar contra a decisão do governo canadiano de ratificar o Protocolo de Kyoto em 2002.

* A Friends of Science Society também realizou uma sofisticada campanha de relações públicas, incluindo publicidade nas eleições federais de 2006 que desafiavam a posição do governo.

O Centro de Media e Democracia informou em meados de Junho que a Peabody doou fundos a uma "rede de indivíduos, cientistas, organizações sem fins lucrativos e organizações políticas que defendiam a negação da poluição por queima de carvão e combustíveis fósseis."

Outros beneficiários incluem Willie Soon, um engenheiro aeroespacial que argumenta que os raios solares e não os gases poluentes causam as alterações na atmosfera, e que já havia recebido financiamento da ExxonMobil; e O Comité para um Amanhã Construtivo (CFACT), cujo filme recente, Climate Hustle, contém também informações enganosas pagas.

Kert Davies, director do Climate Investigations Center e um dos pesquisadores que descobriram as ligações de Peabody com os grupos de negação climática dos EUA, disse ao National Observer:
“O financiamento da Peabody de grupos como Friends of Science e outros como CFACT mostra uma intenção clara da empresa de intervir no debate sobre políticas públicas, lançando dúvidas sobre a ciência. Eles sabem muito bem que a ciência é um motor que impulsiona e informa a política e as sociedades."

"O financiamento da Friends of Science Society pela Peabody confirma o conflito de interesses e a sua falta de credibilidade. Mas isso só confirma o que já sabíamos. Não é nenhuma surpresa. Eu já suspeitava que eles estariam a fazer jogo sujo", disse também.

A revelação sobre o financiamento de grupos como Friends of Science Society pela Peabody provocou uma reacção indignada entre cientistas e cidadãos Canadianos.

Danny Harvey, professor de geografia da Universidade de Toronto também observou que a Exxon Mobil está actualmente sob escrutínio depois de encobrir o que sabia sobre os efeitos desastrosos globais devido aos gases tóxicos da industria dos combustíveis fósseis.

Ao mesmo tempo, o National Observer também soube que o Bureau da Concorrência avançou com uma investigação sobre a Friends of Science Society.

A investigação citou a Friends of Science Society por propagar representações falsas e enganosas relacionadas a vários outdoors, representações de sites, posters e vídeos disponibilizados para download gratuito no site.



Nós aqui n'Os tomates, como já sabem, pretendemos sempre e só, procurar a pergunta.

E tentamos ter sempre tomates para:
  - enfrentar a injustiça;
  - as autoridades vigentes e as retóricas vigentes; 
  - os interesses instalados.

Acima de tudo nunca parar de procurar o que possa estar errado:
- nas nossas próprias verdades
- nas "verdades" dos media, dos políticos, dos economistas e restantes "especialistas";

Mas também, claro, e por consequência, nas "verdades" das pequenas grandes activistas.

Por isso, infelizmente, e como um mal nunca vem só, também sabemos que:

As grandes narrativas actuais correspondem a uma espécie de realidade e;
A comunicação de dados científicos também está capturada por estratégias.
(ver EXTRAS - Why “Green Growth” Is an Illusion e Go Florianópolis)
Mas mais grave do que a ilusão dos seguidores da Greta, porque não seria uma má ilusão, é a desilusão de se saber como a ilusão da Greta e consequentemente de milhões de pessoas, faz parte de uma trama, já com décadas, onde (não fiquem totalmente chocados) os patrocinadores dos corruptos Anti-Greta, são também os principais patrocinadores do guião "Salvem o planeta" da pequena.

O mistério em forma de quebra-cabeças assenta na pergunta:
Porque é que os mesmos interesses poderão estar a investir simultâneamente nos dois lados da barricada?

Pista:
"Provoca o problema e aparece com a solução."
ver, brevemente, "QUANDO A CURA É A DOENÇA"

Palavras chave para vosso passatempo:
Plutocracia e WWF



PRÓXIMOS DIAS
"NÃO, AFINAL ANDREW YANG NÃO LEU AGOSTINHO DA SILVA"
e
"QUANDO A CURA É A DOENÇA"




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